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04/10/2009

Hocine Ziani

Hocine Ziani
por / par
Rita Damazio a.k.a Rita Ouallet Ayor (tradução)



"La reine Tin Hinan"
© Hocine Ziani - © A.D.A.G.P. Paris - © O.N.D.A. Alger
Colecção do governo argelino, Argel



La vie d'Hocine Ziani se lit comme un roman, voire comme un conte de fées. Né en Algérie il y a quelque cinquante ans, d'une famille modeste, vivant dans un village et une région qui ne l'étaient pas moins, il n'avait a priori aucune raison pour devenir un jour l'artiste à la renommée internationale qu'il est devenu. Sauf que le petit gamin qu'il était avait une seule et unique passion, qui lui a valu d'ailleurs de subtiliser des craies de couleurs à l'école du village pour pouvoir dessiner, dessiner à tout prix et partout. Il avait pour sujet la nature et le village de son enfance, les habitants de ce village, sa propre famille, et ses croquis se sont multipliés à l'infini. A l'écart de toutes les influences culturelles, Hocine Ziani s'est construit, patiemment, à force de ténacité et de persévérance, une personnalité et une manière de peindre bien à lui. Toute sa vie, Hocine Ziani a travaillé à perfectionner son art, à affirmer son style, mêlant dans ses toiles le réalisme ou l'hyperréalisme des premiers plans à une semi abstraction qui occupe le fond de sa composition. Il est avant tout peintre de son Algérie natale, et de la lumière si particulière qui y règne. Il en a retracé tous les aspects, des grandes scènes de batailles qui lui ont été commandées par le gouvernement, et qui l'ont amené à recalculer perspectives, couleurs et compositions, afin d'éviter à tout prix les répétitions qu'il abomine, aux scènes les plus simples de la vie quotidienne. Hocine Ziani s'est essayé à tous les genres : portraits, natures mortes, paysages, peinture d'histoire, fantasias, scènes de la vie saharienne dans tout leur faste et leur splendeur, comme dans leur plus extrême simplicité. Peu à peu, au fil des ans, Ziani est allé vers plus de dépouillement et d'épuration, se rendant compte que trop de détails, de personnages ou d'objets tue la vision d'ensemble et affaiblit la composition. Il a alors cultivé le contraste entre premier plan et second plan, faisant s'évanouir celui-ci dans une poussière lumineuse semblable à un mirage. Ses œuvres en ont acquis une force et une puissance évocatrice sans pareille.

In: ZIANI, Clara Pozniakoff, 2005.

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A vida de Hocine Ziani lê-se como um romance, como um conto de fadas mesmo. Nascido na Argélia, há cerca de cinquenta anos, numa família modesta, viveu numa vila, numa pequena região, e nada então poderia dizer que um dia se tornaria num artista de renome internacional. Nada mesmo, só que o menino que era então tinha uma única paixão, e chegou mesmo a "levar emprestado" o giz à escola da aldeia para poder desenhar, desenhar a qualquer preço, em qualquer lugar. Desenhava a natureza e a aldeia da sua infância, os habitantes da vila, a sua própria família, e os seus esboços se multiplicaram no infinito. Longe de todas as influências culturais, Hocine Ziani construiu-se como artista, pacientemente, com tenacidade e perseverança, definiu a sua personalidade e forma de pintar única. Durante toda a sua vida, Hocine Ziani tem trabalhado para aperfeiçoar a sua arte, afirmar o seu estilo, misturando realismo na suas pinturas ou hiper-realismo dos primeiros planos a uma meia-abstracção que ocupa o fundo das suas composições. É acima de tudo, pintor da sua Argélia natal, e da sua luz tão única que prevalece. Retratou todos os aspectos, desde as cenas de grande batalha, que lhe foram encomendados pelo governo, o que levou a recalcular a perspectiva, cores e composições a fim de evitar a todo custo repetições que abomina, às cenas mais simples da vida quotidiana. Hocine Ziani experimentou todos os gêneros: os retratos, naturezas mortas, paisagens, pintura, história, fantasias, cenas da vida em toda sua pompa e esplendor subsaariana, como na sua simplicidade mais extremas. Gradualmente, ao longo dos anos, Ziani procurou a espoliação e uma maior pureza, dando conta que demasiados detalhes, personagens ou objetos matam a visão do conjunto e enfraquecem a composição. Procurou então cultivar o contraste entre o primeiro e segundo plano, fazendo-o desaparecer numa poeira brilhante assemelhando-se a uma miragem. As suas obras ganharam força e um poder único evocativo.

In: ZIANI, Clara Pozniakoff, 2005



Hocine Ziani
Fonte: ZIANI

02/09/2009

A história de Tin-Hinnan (Rainha Touarègue)

L’histoire de Tin-Hinan en portugais (Reine Touarègue)
por / par
Rita Damazio a.k.a Rita Ouallet Ayor (tradução)




"Segundo uma história de tradição oral, Tin-Hinnan foi a primeira líder a unir os touaregues de todo o mundo e a estabelecer um reino nas montanhas do Hoggar.

Acerca deste famoso antepassado do povo touaregue, a história conta que chegou acompanhada da sua criada Takamat, vindas de Tafilalet, na Cordilheira do Atlas, hoje em dia uma área pertencente a Marrocos, nos séculos IV e V e que viajaram até às Montanhas do Hoggar, na Argélia.

Aí se tornou e governou como primeira Tamenokalt (Rainha). Heroína do povo touaregue, é em homenagem à sua determinação e coragem por ter unido o seu povo que a sociedade touaregue é uma sociedade matriarcal."

Citando uma historiadora que escreveu "A mulher touarègue é a mulher mais bem tratada de toda a Africa", eu acrescentaria até que na sua tradição original, o povo touarègue é um dos povos que melhor trata as suas mulheres a uma escala mundial. Afinal temos de ter em conta que esta igualdade de direitos tem milhares de anos na sua tradição!

Tirando alguns fenómenos externos à cultura touarègue, entre os quais, a problemática questão a que os estudiosos se referem como "assimilação" que tem que ver com a crescente prática de hábitos e costumes exteriores às suas tradições de origem, continua, no entanto, a existir um respeito invejável e inegável à mulher touaregue por parte do seu povo. Esses comportamentos não-touaregues e cada vez mais comuns são muitas das vezes de influência islâmica, e quer por convivência ou por vontade de se integrarem nas comunidades não-touaregues, são por força das circunstâncias, levados a adoptá-los.

A questão da assimilação é uma problemática muito discutida a qual não me atrevo a aprofundar muito mais. Exige um maior estudo do assunto e, sobretudo e fundamentalmente, há que recolher todas as faces desta questão. Assimilação, perda de identidade versus integração...Cabe-me neste que será um longo percurso, continuar a recolher as várias versões desde os historiadores, aos linguístas às comunidades touaregues contemporâneas. Somente aí poderei formar a minha humilde opinião de curiosa sobre o assunto...

Mas voltando à esplendorosa e corajosa Rainha... "A história de Tin-Hannan é contada por tradição oral e é-nos descrita como “uma mulher irresistivelmente bela, alta, de uma tez perfeita e clara, de olhos imensos e ardentes, de nariz fino, o conjunto dos atributos evocando, ao mesmo tempo, beleza e autoridade”.

O seu nome significa em tamashek (idioma dos touaregues) “a que se desloca”, “a que vem de longe”. A sua história é tão famosa que ainda hoje os touaregues a chamam de “Mãe de todos nós”.

Um artigo descreve-a como sendo descendente da tribu dos berbères judeus do Sul. Em 1918, Pierre Benoit, no seu romance “L´Atlantide”, conta-nos a história de Antinéa. Trata-se da história de Tin-Hannan em que o nome foi modificado.

Em 1925, em Abalessa, no Hoggar, arqueólogos descobrem o túmulo de uma mulher. Descobrem um esqueleto bem conservado, moedas com gravuras do Imperador romano Constantino, bijuteria em ouro e prata. O túmulo data do século IV e é atribuído a Tin-Hannan e é hoje um local de atracção turística. O corpo está conservado no museu do Bardo em Argel. A origem judaica da rainha permaneceu secreta, tal como a de Kahina, outra rainha Judia de Aurés (actual Argélia)."

Agradecimentos a Fernando Paulino e Tuareg Hassani que me mostraram os artigos.
Thanks to Fernando Paulino and Tuareg Hassani who discovered for me these articles.






Rita Damásio nasceu em Sainte-Adresse, Seine-Maritime, França. Na década de 90 vem para Portugal, frequentando actualmente a Licenciatura em Estudos Africanos na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 2008 passou a integrar o grupo Madredeus e a Banda Cósmica. Amante da cultura tuaregue, assina Rita Ouallet Ayor (Rita filha da Lua).

16/08/2009

Falecimento de Tarzagh Benomar aos 84 anos de idade



Faleceu Tarzagh Benomar que, de uma forma exemplar deu a conhecer ao mundo o Imzad, contribuindo para a sua conservação, valorização e perpetuação.

Foi transmitindo o seu legado através de inúmeros workshops em Djanet, o seu local de residência, entre 2002 e 2005.

Feu Hadj Moussa Akhamok, Aménokal Tuaregue, afirmou um dia, "O Imzad é para os tuaregue aquilo que a alma é para o corpo".

Resta à Associação Sauver l'Imzad e a todos os que defendem e promovem a cultura tuaregue a continuação da valorização deste património.

19/07/2009

Educação da mulher tuaregue

Education chez la femme touarègue
par
Hami Aljoufa Oumarou (Gamar Hami, le lion du desert)


La femme est incontestablement une partenaire et /ou une complémentarité dans la vie de l’homme dont l’apport dans toute structure sociale est non négligeable. L’organisation de la vie de l’homme en quelque sorte en dépens fortement. L’exposé que nous portons à votre connaissance ne constitue nullement une étude approfondie sur l’éducation chez la femme Targuie. Cela est un bref aperçu sur l’interprétation que les touaregs font du point de vue éducation de la femme vue sous certains angles.

Dés le bas âge les parents initient la jeune fille à une éducation de base pouvant lui servir dans l’avenir quand elle aura fondée son propre foyer. Ces enseignements se basent essentiellement sur l’endurance et la persévérance. Chez la tribu «Kel Away» fortement islamisée l’éducation religieuse occupe une place de choix dans cette formation de base. Ainsi la jeune fille doit fréquenter l’école coranique pour pouvoir cerner ne serait ce qu’un minimum en règles religieuses. Elle doit apprendre par exemple quand est ce qu’elle est en état d’impureté. De sorte que même si elle n’a pas fréquentée l’école elle doit respecter certaines règles d’hygiène et capable de gérer à bien certaines situations. De ce fait indépendamment de l’école du blanc la jeune fille apprend à se débrouiller elle-même devant n’importe quelle circonstance au quelle elle pourrait faire face dans l’avenir. Elle doit apprendre à confectionner les nattes pour la cabane et pour assurer à son mari et à ses enfants sur quoi s’étaler. Elle doit également apprendre à bien préparer pour son mari et à pouvoir coudre les habits de ses enfants. Au fait avant d’arriver dans son futur foyer elle doit apprendre l’essentiel de la vie au foyer et aussi la vie sociale. Jusqu’à un certain âge de moins de 15 ans chez certaines, les jeunes filles s’habient avec une longue chemise de coton. A l’age de la puberté les parents lui recommandent un autre accoutrement se composant des pagnes communément appelés «Tari» et des chemises traditionnelles des touaregs. A un autre âge avancé même si elle ne trouve pas de mari elle est contrainte à se couvrir la tête avec un foulard traditionnelle nommé «Allacho».

Le mariage est une étape déterminante dans la vie de l’homme comme point de départ de toute progéniture. Dés que le jeune garçon rencontre la jeune fille de son rêve cela marque le point de départ d’une future coexistence. Comme dans toutes les sociétés, les fréquentations se multiplient jusqu’à aboutir aux propositions du mariage. Si les deux conjoints arrivent à s’entendre l’information peut être portée aux deux familles qui auront le dernier mot. Si les parents ne trouvent pas d’inconvénients à cette union c’est alors que commencent les préparatifs du mariage. Comme dot de la jeune mariée le parent du garçon doit faire témoigner aux marabouts le chameau ou le bien matériel proposé. Cela marque l’essentiel de l’union du mariage du point de vue religieux sans tenir compte des différentes festivités entrant dans le cadre de l’organisation du dit mariage.

La bonne marche d’un foyer dépend des habitudes et /ou de l’éducation de la femme qui s’y trouve. Elle est comme une empreinte qu’elle imprime à toutes les activités entrant dans la bonne marche et la réussite du foyer. Comme dans toutes les sociétés, avant tout la femme chez les touarègues est considérée comme gardienne du foyer. L’entretien du foyer et la garde des enfants constituent les principales activités de la femme. La particularité chez les touarègues ce que la femme en dehors de toutes les tâches précédemment cités pratique l’élevage des petits ruminants. Cette petite économie est une activité parallèle génératrice des revenus. Avec les produits de l’élevage comme les fromages, les femmes arrivent à subvenir à leurs petits besoins lors de l’absence de leurs maris partis au Sud du Niger pour la caravane.

Loin d’être exhaustif le commentaire ci-dessus ne représente qu’une ébauche sur l’éducation de la femme targuie. Cela ne donne qu’un bref aperçu autour du gigantesque thème que constitue «l’éducation de la femme chez les touaregs» qui peut être perçu sous plusieurs angles.


© Gamar Hami, le lion du desert







Hami Aljoufa Oumarou (Gamar Hami, le lion du desert) é natural de Agadez, no Níger, e pertence às tribos Kel-Away. Licenciou-se em Ciências Políticas em 2007 na Universidade de Batna (Argélia) e concluiu o mestrado em Relações Internacionais na mesma universidade em 2008.

V. também O poder da mulher tuaregue por Gamar Hami

26/06/2009

O poder da mulher tuaregue

Le pouvoir de la femme touarègue
par
Hami Aljoufa Oumarou (Gamar Hami, le lion du desert)


L’ancien système des castes tend à s’affaiblir chez la communauté touarègue au fur et à mesure qu’ils sont confrontés avec les sociétés industrielles.

Ces castes se décomposaient initialement ainsi:
- les Imajeghan, les nobles;
- les Imghad, les vassaux;
- les Inesleman, caste des marabouts;
- les Inadan, les artisans, des forgerons, appèles aussi Zarassa;
- et les Iklan, les esclaves (cette caste est presque completement disparue suite à la pression des autorités modernes…).

Dans le passé ces castes maintenaient leurs différences, il n’y avait pas de mésalliance entre une tribu Imghad et Inesleman comme exemples.

Chez les nomades, la famille touarègue est composée du chef de tente, de sa femme, de ses enfants. Comme la société berbère à son origine était matriarcale la femme touarègue a joué et joue toujours un rôle privilégié dans la vie sociale et politique. Elle peut choisir son mari, divorcer, elle deviendra ahsis, libre de tout lien. Comme se sont les femmes qui font tous les travaux domestiques, la femme touarègue se cultive se repose; elle est la détentrice du secret de tous les produits pharmaceutiques traditionnels et elle le confie uniquement à ses filles; elle est la dépositaire de la langue ancienne; elle est la meilleure enseignante de l’écriture Tifinagh, elle est la meilleure joueuse d’Imzad qui chasse la solitude et les mauvais esprits du campement, elle est la meilleure chanteuse et tapeuse du tambour de tendé, elle est, elle est, elle est…

Le pouvoir de la femme touarègue est indéfini et le respect de ses droits est un acte primordial pour toute la communauté .

© Gamar Hami, le lion du desert


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O poder da mulher tuaregue
por
Hami Aljoufa Oumarou (Gamar Hami, le lion du desert)


O antigo sistema de castas tende a enfraquecer-se na comunidade tuaregue, devido ao desenvolvimento das sociedades industriais.

Estas castas eram inicialmente compostas por::
- os Imajeghan, os nobres;
- os Imghad, os vassalos;
- os Inesleman, casta dos marabouts;
- os Inadan, os artesãos, também designados por Zarassa;
- e os Iklan, os escravos (praticamente desaparecida face à pressão das autoridades modernas...).

No passado, estas castas mantinham as suas diferenças, não existindo más relações entre uma tribo Imghad e uma tribo e Inesleman como exemplo.

Entre os nómadas, a família tuaregue é composta pelo chefe da tenda, pela sua mulher e pelos seus filhos. Dado que a sociedade bereber era nas suas origens matriarcal, a mulher tuaregue sempre desempenhou e desempenha ainda um papel privilegiado na vida social e política. Ela pode escolher o seu marido, divorciar-se, libertando-se de qualquer ligação. Dado que as mulheres tuaregues desempenham todo o trabalho doméstico, a mulher tuaregue torna-se culta e descansa; ela é a detentora do segredo de todos os medicamentos tradicionais, confiando-o unicamente às suas filhas: ela é a depositária da língua antiga (o tamasheq); ela é a melhor professora da escrita Tifinagh, ela é a melhor executante de Imzad (instrumento de cordas) que afasta a solidão e os maus espíritos do acampamento, ela é o melhora cantora e tocadora do tambor de tendé (pequeno tambor feito de pele de cabra), ela é, ela é, ela é ...

O poder das mulheres Tuaregue é indefinido e o respeito pelos seus direitos é um acto importante para toda a comunidade.

© Gamar Hami, le lion du desert





Hami Aljoufa Oumarou (Gamar Hami, le lion du desert) é natural de Agadez, no Níger, e pertence às tribos Kel-Away. Licenciou-se em Ciências Políticas em 2007 na Universidade de Batna (Argélia) e concluiu o mestrado em Relações Internacionais na mesma universidade em 2008.

27/05/2009

Mulheres tuaregue

Os Tuaregues atribuem a sua origem a uma mãe ancestral, Tin Hinan, uma princesa oriunda da tribo dos Bérâber do sul marroquino. A lenda conta que terá atingido o deserto acompanhada apenas pela sua serva Takamat. Ao encontrarem-se com os Tuaregues, teriam dado origem, a primeira, à tribo nobre tuaregue, a segunda às respectivas tribos vassalas.

Realidade ou pura ficção, a verdade é que, por força desta lenda os Tuaregues encontraram nela a fonte de uma das suas tradições, a de uma sociedade organizada matriarcalmente.



"La reine Tin Hinan"
© Hocine Ziani - © A.D.A.G.P. Paris - © O.N.D.A. Alger
Colecção do governo argelino, Argel





Nina Walet Intalou, Presidente da Associação Taghreft Tinariwen
© Cécile Chaix